domingo, 31 de maio de 2015

À distância...

Hoje estou ao teu lado e sei disso,
Sinto-te perto, porque estou perto.
A minha mão perto da tua,
A tua alma ao lado da minha.

Sentados no sofá, ou no banco de jardim,
Entre milhares de risos, lá se vão escapando os desabafos
Os desabafos da alma, da vida.
Eles voam com o vento, mas ambos sabemos que se eternizarão entre nós.

Hoje estou aqui, e sei que tu também.
Partilhamos a mesma brisa suave,
O mesmo pôr-do-sol.
Baloiçamos intemporalmente, naquele baloiço de jasmim.

Hoje estou feliz. Sei que tu também.
Não são precisas palavras. Há coisas que são ditas antes de se dizer. Que se sabem, antes de se saber.

Mas o tempo passa e o agora não se propaga,
O hoje finda, inelutavelmente,
E o amanhã é uma imensidão de incerteza.
Não o prevejo, não o sinto, não o sei.

Amanhã poderás não estar mais aqui.
Poderei não estar mais aqui.
Amanhã poderá ser apenas o dia depois de hoje,
Ou daqui a semanas, meses ou anos...

O nosso amanhã é imprevisível e incontrolável...
O que ele acarreta, também...

Não sei se nesse amanhã, saberei tanto de ti, se te sentirei tão perto, se te terei tão perto.
Nesse amanhã, não sei onde estaremos, o que faremos...
Nesse amanhã, não sei no que acreditaremos, o que sentiremos...
Nesse amanhã, espero que vivamos.
Não interessa se estás na porta do lado, o do outro lado do oceano.

Nesse amanhã, sei que não te lembrarás de mim todos os dias, nem todas as semanas, e muito provavelmente nem todos os meses. Também não é preciso.
A vida encarregar-se-à de nos arranjar entretenimento para a alma, que nos consome constante e incansavelmente.

Não há necessidade de te lembrares sempre de mim.
Não precisas de te lembrar de mim.

Mas... se o fizeres, fá-lo com o coração.
Lembra-te da luz que te trouxe,
Da escuridão que te levei.
Dos risos que trocamos,
Dos momentos que vivemos.
Das loucuras inesquecíveis.

Mas acima de tudo, lembra-te do que fomos. De tudo o que construímos. De tudo o que formamos.
Dos longos dias de sol.
Das poucas noites de luar.




Tenho saudades do que ainda está perto,
Sinto falta daquilo que ainda tenho.




Esquece-me todos os dias.
Lembra-te amanhã do que sentimos hoje.




Eu por cá, irei-me esquecendo e relembrando. Não todos os dias, não todas as semanas. Provavelmente, não todos os meses.

Mas, passe o tempo que passar, irei adorar-te interruptamente.

Levo-te comigo para todo lado, carrego-te no coração.


Haja o que houver,
Passe o tempo que passar.
Dê a Terra as voltas que der.
Mas eu com continuar a te adorar.


À distância...













Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

sábado, 23 de maio de 2015

Nunca te abandono

Sou um sopro de vento.
Sem dono, sem lugar, sem amarras.
Vou e venho como o pêndulo do relógio, mas sem a sua desconcertante ritmacía.
Sem a sua certeza e suavidade. Sem constância. 

Dou por mim, múltiplas vezes, a esgueirar-me pelas entrelinhas, a vaguear por entre os sonhos, e a sonhar escondida da realidade.

Move-me a vontade. Aquela incontrolável vontade de abarcar o mundo. Como se o mundo pudesse ser abarcado.

Devaneio de olhos abertos, mas abertos sem ver. Momentaneamente cega, simultâneamente focada.

E de repente não sei onde estou. Não sei como cheguei. Não sei para onde vou.

Agrada-me estar em lado nenhum. Porque estando em lado nenhum, sinto-me em algum lado.
Pertenço a algum lado. E nada é mais reconfortante do que pertencer, nem que seja a lado nenhum...
Desde que se pertença a algum lado.

Sei que me esgueiro muitas vezes.
Sei que saltito freneticamente no espaço entre os segundos.
Sei que corro como uma criança, para o seu mundo mágico.
Sei que desapareço sem aviso, avisando previamente.

Corro e escondo-me atrás dos montes de sonho.
Espreito e riu. Riu como se fosse louca. Riu da minha própria loucura.
E continuo a correr. Sem uma meta. Sem um fim.
Corro porque é mais fácil do que ficar.
Corro para estar e não estar.

Corro pendularmente.

Acabo sempre por voltar para a sanidade.
Para o real.
Para o comum.
Para o mundo dos mortais.

Algo me prende mais do que a magia do meu mundo ininteligível. A nobreza de amar pessoas reais.

Corro pendularmente.
Vou e volto.

Mas nunca te abandono...
...só às vezes...
mas é só um bocadinho...
no fim, volto sempre!









Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Nada

Não sinto nada.
Não sou nada.
Não sei nada.

Somente uma imensidão de vazio.
Um nada que é muito, mas um muito sem significado.
Um muito de significados encriptados.

Sou o que sinto. Quando o sinto.
Sou o que sei. Quando o sei.
Sou mim. Quando sou.

Sou um universo de coisa nenhuma.
Um nada cheio de vazio.

Consigo ouvir os meus pensamentos ecoar dentro de mim.
Num eco triste. Sem ouvinte.

Oiço-me a mim mesma. É imperceptível.
É nada.
Não sinto nada.

Mesmo vazio, os sentimentos mostram-se pesados. Densos.
Estão aferrolhados não sei onde. Se calhar em lado nenhum.

Não sinto nada.

Não sei não sentir nada. Estranho não sentir nada.
Mas não o escolho. Apenas o sinto.

Poderia sentir tudo. Mas tudo também seria demasia.
Por outro lado, nada, aparenta ser fácil de sentir.
Mas não é.
Porque não se sente.

E como se pode ser um ser sensitivo sem se sentir? Não se pode.

Não sinto nada. Não sou nada.

Perco-me dentro de mim.
Perco-me no seio do verbo sentir.
Perco-me nas ilusões dos iludidos.
Perco-me nos anseios dos sentidos.

Perco as certezas. Já não sei nada.

Não sinto nada.
Não sou nada.
Não sei nada.












Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

Dor sem glória

Dor.
Eu sou dor. Dor sem glória.
Dor e medo.
Dor com lágrimas.
Lágrimas significativas, mas sem significado.

Eu sou dor. Dor com um aperto.
Um aperto sem dono.
Um aperto sem berço.
Um aperto sem alma.

Eu sou dor. Dor sem orientação.
Dor sem destino.
Dor sem objeto.
Dor constantemente inconstante.

Uma dor consciente da sua própria inconveniência.
Uma dor sabedora da sua própria fortuna.
Uma dor que não mata, mas corroí.
Uma dor sufocante que não sufoca, mas destrói.

Uma dor vívida, que confina a vivência.
Uma dor mórbida que nos limita à existência.
Uma dor fria que engelece a alma.
Uma dor ardente, que consome a calma.


Dor.
Eu sou dor. Dor sem glória.
Dor e medo.

Medo de perder o imperdível.
Medo de não alcançar o inalcançável. (Ou o alcançável.)
Medo de não viver o conjecturado.
Medo de não alcançar o desejado.

Medo de não deixar de ser o hoje.
Medo de não ver o amanhã.
Medo da certeza do incerto.
Medo de nunca chegar.
Medo de nunca poder partir e voltar.


Dor.
Eu sou dor. Dor sem glória.
Dor e medo.
Dor com lágrimas.

Lágrimas trespassáveis. Intocáveis.
Lágrimas visivelmente invisíveis.
Lágrimas secas. Lágrimas desérticas.
Lágrimas que não escorrem.
Lágrimas que se evaporam antes de nascer.

Dor.
Eu sou dor. Dor sem glória.
Dor e medo.
Dor com lágrimas.
Dor efémera.











Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

domingo, 10 de maio de 2015

O Adeus (Uma Última Homenagem )

Há coisas que não se agradecem, porque não há como agradecê-las.

O que vem do coração não é agradecível, não com palavras.
O que vem do coração agradece-se com o que se guarda no coração.
Mas no fim,no fim de tudo, no fim da vida, não dá para agradecer o que vem do coração, com o que se tem no coração.

Já não te posso agradecer como te agradecia.

 Então,  vou-me deixar cair no consuetudinário erro humano. Assim, fica aqui o meu eterno agradecimento. Por TUDO, OBRIGADA.

Obrigada por aquilo que não se agradece.
Obrigada pela tua vida.
Obrigada pelo que deste à minha.

Ao contrário do que muitos dizem, a família não precisa de ser de sangue, basta que seja do coração. E tu sabia-lo melhor do que ninguém.

Obrigada por fazeres parte. 
Obrigada por me deixares fazer parte.

Dizem que a família não se escolhe, mas tu escolheste-me. 
Eu escolhi-te.

Carregas-te-me no coração até ao último suspiro. Carregaste-me no coação toda a tua vida.
Mas isso só quem ama, percebe.

Há fardos que não pesam.
Há tristezas que compensam. 
Há alegrias desmedidas, que se sobrepõem a tudo o resto.

E depois há o amor que é imortal. É a nossa forma de nos imortalizarmos, de nos propagarmos eternamente no mundo.

Amas-te muito. Foste muito amada.

Serás eterna. Aqueles que te amam, eternizarão-te.

Sou de acreditar, que somos feitos de pessoas, de todas aquelas que nos cativam, que nós cativamos. Que amamos. 
Um dia o destino abre-nos um buraco no peito, deixa-nos um vazio.

Hoje o fado arrancou uma parte de mim.
Continuo a ser eu, mas com menos um pedacinho.
Sei que um dia a falta desse pedacinho, vai deixar de doer, ou doer menos. 

E nesse dia sei que nos reencontramos, apesar de estarmos em lados opostos do universo.


Não sei qual é o destino desta viagem, mas sei que terá sempre espaço em mim. Prometo torna-la imperecível no meu coração.


Até sempre Miinha! heart emoticon

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O tempo

O tempo.

Ele não pára nem por um segundo, porque um segundo é tempo.
Estranhamente, ele passa, mas nem sempre o vemos passar.
Deve ser das poucas coisas que não vemos passar. Ou a única.

Deixei os anos passar por mim sem os contar, sem os ver, sem os sentir.
Fiquei imóvel e empedrada.
Estagnada.

Encolhi-me num canto, num simples recanto da vida, à espera de permanecer intocada.
Quase consegui.
Até porque parei de sentir o tempo.

Parei no tempo.

Mas o tempo não parou em mim.


Ele correu, como um riacho corre rumo ao seu destino.
Se é que tempo tem destino.
Mas seguiu o seu caminho.
Se é que tempo tem caminho.
Ou rumo. Ou o que seja. Até porque uma coisa é certa: ele não pára.

Soltei-lhe as rédeas e ele lá foi.
Trouxe umas coisas, mas cobrou por elas. Ou eu deixei-o cobrar.
Trouxe mas levou.
E trará novamente, se assim for o seu percurso. Se assim o quiser, se assim o desejar.
Ele manda. Ele é intemporal.

Mas o mais estranho, é como tudo parece não passar de um sonho (ou pesadelo) quando paramos, para não parar no tempo.
Quando paramos o que sempre fizemos correr.
Quando paramos para sentir.
Quando paramos para ver. O tempo.

E o que se lhe apega. Ao tempo.

E não sei. Ou sei. Mas gostaria de não saber.

Vem aquele apertosinho em pésinhos de lã, que mexe e remexe no nosso peito.
Não arranca pedaços, nem pedacinhos, mas é quase como se os deixa-se soltos.
Descompacta-nos por dentro.
Deixa-nos sentir.
Obriga-nos a sentir.
Até o que não queremos.
Principalmente o que não queremos...

Vem também um nó na garganta e um brilho cortante no olhar.
O nó não é grande, mas está lá.
O brilho cortante no olhar, não arranca lágrimas, mas tem o poder de arrancar.


O tempo arrasta a saudade.
Ás vezes acho que são o mesmo.
Será que são sinónimos? Talvez... numa outra dimensão.

Outras vezes, mais do que saudade traz a consciência.
A consciência, a sensação de dormência prolongada, e a consequência de tudo o que queríamos e que deixamos escapar por entre os dedos.
E mais uma vez, os nós, os brilhos cortantes, e os desprendimentos lá para o meio do peito.


Acho que o tempo, quando nos consciencializamos da sua passagem, traz SAUDADE do que tivemos, do que não tivemos, do que poderíamos ter. Do que fizemos, do que não fizemos, do que poderíamos fazer.


Acho que se pode resumir a isto:



"Sinto longe o passado, sinto perto a saudade."
(Pessoa)








Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

sábado, 25 de abril de 2015

Não tentar, por medo de falhar.

Todo o bicho humano procura ser bem sucedido naquilo ambiciona, ao longo curso da sua existência.

E é assim que deveria ser.


Desejar sem preocupações.
Amar sem limites.
Sonhar sem restrições.
Lutar com todas as forças.



Na génese da coisa, temos em mente somente duas variáveis, não por sermos afortunados com o dom da adivinhação, mas por sermos detentores do dom da observação.
Podemos definir estas duas variáveis como sendo: "o quê", e "o como". 

O " o quê" refere-se ao que nós desejamos, ao estádio mais térreo do desejo.
E "o como", é nada mais nada menos, do que nos termos das condições nas quais queremos esse desejo. Resumidamente, são os modos nos quais esperamos que o nosso desejo se materialize.
Então, se previamente, considerarmos que o nosso "o quê" não se conceptualizará no nosso "como", desistimos. 
Ponto.

E é com este pensamento merdoso (peço desculpa pela expressão) incutido, que nos vamos empurrando e arrastando pelos corredores da vida.
Quase moribundos sorridentes. Aqueles que ainda se atrevem a sorrir.

(Como se fosse possível sorrir quando se é infeliz.)

É quase como suicidar-se para não ter de morrer. Ninguém o faz, obviamente. 
Porque é estúpido. Simplesmente estúpido. 
E será estúpido, se reflectirmos claramente, desistir dos nossos sonhos e ambições por medo de não alcança-los nos termos ou no tempo em que gostaríamos de alcança-los.

Posto isto, acabamos por deixar de o desejar. Não verdadeiramente, como é de esperar.

Mas convencê-mo-nos de que já não queremos o nosso "o quê". Porque estupidamente achamos que não conseguiremos tê-lo no nosso "como".

Mas não tentamos.

Não lhe demos se quer uma oportunidade.
Não nos demos uma oportunidade.

Não podemos ter medo de tentar. 
Não podemos prender-nos dentro de nós, só por haver uma probabilidade de as coisas não se acertarem do modo que queremos que se acertem. 
Porque elas podem ou não. 

E é sempre melhor coisas meias certas do que completamente erradas. 
Mas acima de a tudo, sempre é melhor tentar e falhar, do que ficar amarrado ao "e se..."

Ás vezes precisamos de cair, para podermos andar.
Ás vezes precisamos de interiorizar o medo, para desenvolver a coragem.
Ás vezes precisamos de acreditar para vencer.

E como diria o nosso mui ilustre Pessoa:
"(...)Tudo vale a pena.
Se a alma não é pequena. (...)"

Eu não acredito em almas pequenas. 

(mas isto ficará para outros post, talvez)









Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...