sexta-feira, 7 de agosto de 2015

L'amour

Amo-te. Amo-te como nunca amei ninguém.
Amo-te hoje como não te amei ontem.
Amo-te hoje como não te amarei amanhã.

Dei tempo ao tempo. E fui-lhe dando tempo.
O tempo passou.
Passou o tempo, mas não passaram as memórias. Essas mantêm-se imaculadas.

Corri e esgueirei-me por entre as incertezas.
Amarrei-me às poucas certezas, e até mesmo essas se desvaneceram.
Certezas incertas.

Desejo palpitante de agaturrar a verdade.
Aquela que seria a minha indubitável verdade.
Essa ânsia que me consumia esporadicamente de modo permanente.

Entre o amo-te e o não te quero,
Lá fui saltitando.
Umas vezes amando sem querer,
Outras querendo-te sem saber.

Apostei com os rios e vales,
Fiz promessas às estrelas e aos mares.
Mas por mais que fizesse,
Tudo o que fizesse era exíguo para te largar.

Aceitei a incerteza, porque de tudo era o mais certo,
E deixei-me esvoaçar com o vento.
Empurrando-me lentamente cheguei ao agora.

E agora eu sei,
Que te amo,
E que sempre te amei.














Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...
_________________________________________________________________________________


I love you. I love you like I've never loved anyone before.
I love you today as I didn't loved you yesterday.
I love you today as I don't will love you tomorrow.

I gave time to the time. And I was giving it time.
The time has passed.
Time passed, but didn't pass the memories. These remain pristine.

I ran and I crept through the uncertainty.
I tied myself to the few certainties, and even those faded.
Uncertain certainties.

Throbbing desire to grasp the truth.
The one that would be my indubitable truth.
This yearning that consumed me sporadically in permanently way.

Between the "I love you" and the "I don't want you",
There I was hopping.
Sometimes loving inadvertently
Other times wanting you unknowingly.

I bet with rivers and valleys,
I made promises to stars and seas.
But as much as I did,
All that I did, was narrow to drop you.

I accepted the uncertainty because of all, it was the righter,
And I let myself fluttering in the wind.
Pushing me slowly got to now.

And I know now,
That I love you,
And I always loved you.














That the dreamers never stop dreaming ...

terça-feira, 28 de julho de 2015

Metus

Na vida ou se ganha ou se perde,
ou se perde e ganha, mas nunca há meio termo.
Nem termo do meio.
Porque não conseguimos viver sem nos envolver,
E quando nos envolvemos, nos enrolamos, nos unificamos com a nossa vivência,
A intensidade não pode ser desintegrada, não a conseguimos dissociar...

E se vivemos, então arriscamos a cada segundo...
Arriscamos todo o nosso pequeno mundo.
Não o podemos evitar...

Quando me perguntavam qual era o meu maior medo,
Respondia sem muito a pensar, perder.
Perder os que amo, primeiramente.
Perder-me a mim mesma, com o tempo.

Agora só temo não encontrar.
Não encontrar as respostas,
Não encontrar a trâmite,
Não me encontrar a mim.

Não encontrar é quase como perder,
Só que mais difuso...
Acho que é o que se teme quando já se perdeu muito...
Quando já perdemos muito, acabamos por espera-lo,
Sabemos que tudo é finito, sabemos mesmo,
Não que há essa possibilidade. Temos essa certeza.
Deixamos de temer essa perda incontrolável,
E passamos a temer a possibilidade de morrermos antes da morte.

Está escuro neste canto,
A rua é gélida, queima a minha pele de papel,
Não sei como vim cá ter, não sei como hei de cá sair.
A calçada disforme aleija os meus pés descalços à medida que a percorro.

Não sei onde estou. Não sei quem sou.
Esta amnésia tão consciente de si mesma,
Esta cegueira tão focada,
Impedem-me de ver para lá da neblina que me rodeia.

Subitamente, não sinto se não um formigueiro,
Quente, pequeno, quase imperceptível, percorre o meu corpo imóvel,
Imobilizado pelo temor.
Sinto-me presa dentro de mim. Estou presa dentro de mim.

A rua estreita-se ao meu redor.
Vai-se fechando à medida que a minha vontade de escapar inflama.
Ardem-me os olhos, escorrem-me as lágrimas.
Não sei em que mundo estou.
Não distingo o real do ilusório.

Perco-me na respiração.
Não tenho se não coração.
Morri. Estou morta.

Abro os olhos devagar.
Olho em meu redor. Sei onde estou.
Sei quem sou.

Desta vez, encontrei.

















Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Obrepserit...

Surpresas.

As surpresas estão em todo o lado, são como o vácuo, sempre presentes, mas somente notadas quando emergem de lado nenhum; quando isoladas da nossa recorrente normalidade.
Mas nem todas as surpresas são boas, como usualmente, os nossos pensamentos automáticos nos sugerem.

Há surpresas, surpreendentemente desagradáveis. Acontecimentos, momentos, lugares, coisas, pessoas... PESSOAS!
As pessoas, são sem dúvida a maior surpresa com que nos podemos deparar. Por mais óbvias que pareçam, paleiam por detrás de um manto da invizibilidade alíquotas inimagináveis, surpreendentes.

Vivi pouco, mas no pouco que vivi, tive a oportunidade de surpreender, de me deixar surpreender e de ser surpreendida. Umas boas, outras más, mas todas surpresas.

Não tendo a deixar que as pessoas me surpreendam relativamente ao pó de estrelas de que são feitas. Mas há coisas incontroláveis, e por vezes cegamos continuando a ver. Vemos as coisas da forma tão nítida no ponto em que focamos, que nos olvidamos de olhar a periferia, as sombras onde o desconhecido se amora.

Esta cegueira com olhos de águia protela-se no tempo, até que o tempo se estreita, ou parece estreitar-se. E neste momento as pessoas surpreendem. Surpreenderam-me.

Há coisas inimagináveis, inexpectaveis, mas que acontecem quando menos esperamos.

Não sei se fui eu que não vi ou se não quis ver, porque, às vezes a verdade dói. Dói não por ser verdade, mas por não ser o espectável. Dói porque no fim, aquilo que era a nossa inerente verdade, resume-se a uma mentira. A uma mentira auto-relatada.

Não sei se fui eu que não vi ou se não quis ver, ou se foste tu que deveras mudaste. O que mais temo, é que sempre assim o tenhas sido, e eu ingenuamente tenha acreditado naquilo que vi... cegamente.

Dizem, pelos cantos e esquinas, que máscaras não se sustentam eternamente, que um dia desprendem-se e caem. Hoje foi o dia. Hoje a tua caiu.

Agora olho e vejo, percebo o que outrora fui incapaz de perceber... é triste que as coisas tenham acabado desta forma. É triste quando se chega ao final da linha e se está só. Parece um deserto, não tens ninguém com quem partilhar as conquistas...

Outro rumor que voa com o vento, é que o universo procura equilibrar as energias, então tudo o que dá-mos, recebemos.
Dá amor e receberás amor. Dá dor, e receberás dor.
Não quero que sintas dor, mas lembra-te tudo o que tu fizeres acaba por se espelhar, mais tarde ou mais cedo... Se escolheres andar sozinho entre a gente, não poderás acabar o dia acompanhado.

E no final, no nosso final, parece que foi tudo mentira...
Parcialmente, mentira.
Eu cumpri o que tinha de ser cumprido.
Faltou cumprir-se a nossa posteridade.

















Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Quando não estiver mais aqui

A vida é um correrio. Andamos freneticamente de uma lado para o outro, sempre com a mente ocupada, sem espaço para sonhos e projecções, porque tudo o que nos rodeia exige demasiado.

Esquece-mo-nos de aproveitar aquele gratuito pôr-do-sol, em detrimento do preenchimento daquela papelada enfadonha que nos acossou até casa.

Esquece-mo-nos do sabor daquela limonada,
Esquece-mo-nos da sensação daquele abraço apertado no final do dia,
Esquece-mo-nos do frescor da brisa marítima,
Esquece-mo-nos do gélido chão de mármore,
Esquece-mo-nos do calor da lareira de Inverno.

Esquece-mo-nos de parar. Esquece-mo-nos de viver a vida enquanto é nossa. Enquanto ainda temos tempo de vive-la.

Somos soberbos, achamos que nunca há um amanhã.
Corremos fugazmente por entre os corredores da vida.
Desatentamos aos pormenores.
Esquece-mo-nos de amar.
Dá-mos importância a quem não importa, ao que não importa.
Esquece-mos a inquestionável importância dos importantes.

Mas um dia há, em que tudo finda, e a nossa mera existência não é excepção, mas antes a regra...

Um dia tu não vais estar mais aqui...

Um dia eu não vou estar mais aqui...

Mas  tudo continuará da mesma forma.
A pequenez humana marca a diferença enquanto é o receptáculo da vida e com ela molda o mundo, quando este se esvazia, o seu valor parece esvair-se com ele

Quando não estiver mais aqui, a Terra continuará a girar

Quando não estiver mais aqui, os pássaros continuarão a cantar

Quando não estiver mais aqui, as estrelas estarão lá no céu

Quando não estiver mais aqui, o dia e a noite continuarão sincronizados

Quando não estiver mais aqui, rios continuarão a correr para os oceanos

Quando não estiver mais aqui, o sol continuará a brilhar

Quando não estiver mais aqui, as flores continuarão a florir

Quando não estiver mais aqui, as crianças continuarão a correr

Quando não estiver mais aqui, as varinas continuarão a pregar

Quando não estiver mais aqui, o resto do mundo continuará a correr freneticamente

Quando não estiver mais aqui, quando não estiver mais aqui...

Quando não estiver mais aqui, tudo continuará como está, menos eu. E eu sendo apenas eu, não marcarei essa indubitável diferença que todos almejamos suscitar, esse clamor da espécie humana, essa vontade de que sintam a nossa falta, quando não estivermos mais aqui. Alguns sentirão, mas a efemeridade da vida é transcendente, propagando-se para as esferas da existência.

Um dia, os que cá ficam olharão para o passado e se espreitarem bem, lá nos encontrarão, sentados num banco de jardim a rir sem razão, a beber uma bica e a contemplar a intemporalidade 
do momento finito.













Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

domingo, 31 de maio de 2015

À distância...

Hoje estou ao teu lado e sei disso,
Sinto-te perto, porque estou perto.
A minha mão perto da tua,
A tua alma ao lado da minha.

Sentados no sofá, ou no banco de jardim,
Entre milhares de risos, lá se vão escapando os desabafos
Os desabafos da alma, da vida.
Eles voam com o vento, mas ambos sabemos que se eternizarão entre nós.

Hoje estou aqui, e sei que tu também.
Partilhamos a mesma brisa suave,
O mesmo pôr-do-sol.
Baloiçamos intemporalmente, naquele baloiço de jasmim.

Hoje estou feliz. Sei que tu também.
Não são precisas palavras. Há coisas que são ditas antes de se dizer. Que se sabem, antes de se saber.

Mas o tempo passa e o agora não se propaga,
O hoje finda, inelutavelmente,
E o amanhã é uma imensidão de incerteza.
Não o prevejo, não o sinto, não o sei.

Amanhã poderás não estar mais aqui.
Poderei não estar mais aqui.
Amanhã poderá ser apenas o dia depois de hoje,
Ou daqui a semanas, meses ou anos...

O nosso amanhã é imprevisível e incontrolável...
O que ele acarreta, também...

Não sei se nesse amanhã, saberei tanto de ti, se te sentirei tão perto, se te terei tão perto.
Nesse amanhã, não sei onde estaremos, o que faremos...
Nesse amanhã, não sei no que acreditaremos, o que sentiremos...
Nesse amanhã, espero que vivamos.
Não interessa se estás na porta do lado, o do outro lado do oceano.

Nesse amanhã, sei que não te lembrarás de mim todos os dias, nem todas as semanas, e muito provavelmente nem todos os meses. Também não é preciso.
A vida encarregar-se-à de nos arranjar entretenimento para a alma, que nos consome constante e incansavelmente.

Não há necessidade de te lembrares sempre de mim.
Não precisas de te lembrar de mim.

Mas... se o fizeres, fá-lo com o coração.
Lembra-te da luz que te trouxe,
Da escuridão que te levei.
Dos risos que trocamos,
Dos momentos que vivemos.
Das loucuras inesquecíveis.

Mas acima de tudo, lembra-te do que fomos. De tudo o que construímos. De tudo o que formamos.
Dos longos dias de sol.
Das poucas noites de luar.




Tenho saudades do que ainda está perto,
Sinto falta daquilo que ainda tenho.




Esquece-me todos os dias.
Lembra-te amanhã do que sentimos hoje.




Eu por cá, irei-me esquecendo e relembrando. Não todos os dias, não todas as semanas. Provavelmente, não todos os meses.

Mas, passe o tempo que passar, irei adorar-te interruptamente.

Levo-te comigo para todo lado, carrego-te no coração.


Haja o que houver,
Passe o tempo que passar.
Dê a Terra as voltas que der.
Mas eu com continuar a te adorar.


À distância...













Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

sábado, 23 de maio de 2015

Nunca te abandono

Sou um sopro de vento.
Sem dono, sem lugar, sem amarras.
Vou e venho como o pêndulo do relógio, mas sem a sua desconcertante ritmacía.
Sem a sua certeza e suavidade. Sem constância. 

Dou por mim, múltiplas vezes, a esgueirar-me pelas entrelinhas, a vaguear por entre os sonhos, e a sonhar escondida da realidade.

Move-me a vontade. Aquela incontrolável vontade de abarcar o mundo. Como se o mundo pudesse ser abarcado.

Devaneio de olhos abertos, mas abertos sem ver. Momentaneamente cega, simultâneamente focada.

E de repente não sei onde estou. Não sei como cheguei. Não sei para onde vou.

Agrada-me estar em lado nenhum. Porque estando em lado nenhum, sinto-me em algum lado.
Pertenço a algum lado. E nada é mais reconfortante do que pertencer, nem que seja a lado nenhum...
Desde que se pertença a algum lado.

Sei que me esgueiro muitas vezes.
Sei que saltito freneticamente no espaço entre os segundos.
Sei que corro como uma criança, para o seu mundo mágico.
Sei que desapareço sem aviso, avisando previamente.

Corro e escondo-me atrás dos montes de sonho.
Espreito e riu. Riu como se fosse louca. Riu da minha própria loucura.
E continuo a correr. Sem uma meta. Sem um fim.
Corro porque é mais fácil do que ficar.
Corro para estar e não estar.

Corro pendularmente.

Acabo sempre por voltar para a sanidade.
Para o real.
Para o comum.
Para o mundo dos mortais.

Algo me prende mais do que a magia do meu mundo ininteligível. A nobreza de amar pessoas reais.

Corro pendularmente.
Vou e volto.

Mas nunca te abandono...
...só às vezes...
mas é só um bocadinho...
no fim, volto sempre!









Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Nada

Não sinto nada.
Não sou nada.
Não sei nada.

Somente uma imensidão de vazio.
Um nada que é muito, mas um muito sem significado.
Um muito de significados encriptados.

Sou o que sinto. Quando o sinto.
Sou o que sei. Quando o sei.
Sou mim. Quando sou.

Sou um universo de coisa nenhuma.
Um nada cheio de vazio.

Consigo ouvir os meus pensamentos ecoar dentro de mim.
Num eco triste. Sem ouvinte.

Oiço-me a mim mesma. É imperceptível.
É nada.
Não sinto nada.

Mesmo vazio, os sentimentos mostram-se pesados. Densos.
Estão aferrolhados não sei onde. Se calhar em lado nenhum.

Não sinto nada.

Não sei não sentir nada. Estranho não sentir nada.
Mas não o escolho. Apenas o sinto.

Poderia sentir tudo. Mas tudo também seria demasia.
Por outro lado, nada, aparenta ser fácil de sentir.
Mas não é.
Porque não se sente.

E como se pode ser um ser sensitivo sem se sentir? Não se pode.

Não sinto nada. Não sou nada.

Perco-me dentro de mim.
Perco-me no seio do verbo sentir.
Perco-me nas ilusões dos iludidos.
Perco-me nos anseios dos sentidos.

Perco as certezas. Já não sei nada.

Não sinto nada.
Não sou nada.
Não sei nada.












Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...