domingo, 16 de setembro de 2018

O medo de ser feliz

Às vezes olhamos para o mundo e não vemos nele a beleza das coisas. Quase como se não o quiséssemos ver, como lhe fechássemos os olhos ou os deixássemos embaçar. 
Há um medo que nos cresce nas entranhas, que se expande por cada centímetro nosso. Um medo de ver a beleza do mundo, um medo de aceitar a felicidade, um medo de ser feliz. Uma culpa por ser feliz.
Apoderando-nos da desgraça alheia e da nossa própria miséria, erguemos um ritual a um deus do caos e destruição, e deixamos marinar o nosso sofrimento. Porque é sempre mais fácil sucumbir à dor.

Mas a verdade, é que há no mundo muita mais beleza do que dor. Às vezes só temos de mudar as lentes com que o olhamos. Ser feliz também dá trabalho. Ser feliz é um compromisso que temos connosco mesmos, e deveria ser o compromisso mais importante das nossas vidas.












Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

segunda-feira, 30 de abril de 2018

O dia em que não me esqueci de ti

Havia passado pouco mais de um mês desde a última vez que te vira. Desde então, tudo parecia organizado. O sentimento avassalador, terminado e arrumado na velha caixa de quinquilharias, guardada na esquina poeirenta do sótão. Tu em mim, já tinha conseguido um fim. Tu eras passado. Eras passado há muito tempo. Eras pretérito imperfeito. Pensei que te tinha aperfeiçoado. Estava enganada.

Aqueles, que como tu, estão presentes na nossa vida há tanto tempo, marcaram tão boas memórias, deram-nos incontáveis sorrisos, preencheram o nosso peito de tão gigantesca felicidade... são difíceis de não recordar.

Ao fim de tantos anos, descobri muito acerca de nós. Descobri que fui aprendendo a amar-te dia após dia, um momento atrás do outro. Acho que só percebi isso tarde de mais.

Tínhamos tantos ventos e marés contra os quais tínhamos de remar... Tinha tanto medo. Tenho tanto medo.

Sempre tive uma obsessão por certezas, por isso demorei tanto tempo a ter a certeza de que o mais certo eras tu e eu, éramos nós. Acho que a certeza só emergiu no momento em que soube que te perdi, perdi-te para o mundo. Ficar sem ti, foi ficar sem rumo, continuando a acreditar que estava no caminho certo.

Ergui a cabeça e decidi que o mundo continuaria a girar, mas ele jamais voltou a girar da mesma forma. Acreditei que me habituaria, mas não me habituei.

Então parei. Fechei-me dentro de mim, reflecti e meditei. Conclui que precisava de te ter. Desta vez tentei. E falhei. Mas não desisti. No meu íntimo sabia que havia de te ver em breve, e vi. Há pouco mais de um mês.

Era um dia soalheiro e todos pareciam felizes. Alguém soltara borboletas dentro de mim semanas antes do hoje. Esperei ansiosamente e preparei-me para o momento em que te voltaria a ver, depois de infindáveis tempos.

Quando lá cheguei, não te vi. Temi desmoronar-me, partir-me em mil pedacinhos e desaparecer com o vento. Inspirei e expirei lentamente. Estava determinada a chegar até ti.

Entrei, e o espaço estava repleto de gente. Assim que a música começou, cada molécula do meu corpo vibrou. Soube que estavas ali.

E do nada vi-te. Naquele momento, o espaço estreitou-se, as pessoas dissiparam-se. Éramos só nós. Estáticos, cada um no seu canto. Naquele momento, em que os meus olhos se prenderam nos teus, tive a certeza que eles também me procuravam.

E do nada surge aquela música, aquela maldita música. A que contava a nossa história, ou pelo menos a minha versão da história. E fui obrigada a cair na realidade. Os ecos que murmuravam os rumores de haver outra, atingiram-me que nem flechas. Mas a verdade é que te procurava, gritando o teu nome aos ventos. "Eu sem ti, tu sem mim, como poderíamos ser felizes???" Maldita música.

Naquele dia, estava determinada a dar um rumo à nossa história. Qualquer rumo.

Não conseguindo controlar a minha capacidade inata de estragar tudo aquilo com o que me importo, acabei por boicotar a mais remota possibilidade de um final feliz.

O único rumo remanescente era o que já tentara outrora, continuar com a minha vida. Sem ti.

E pouco mais de um mês depois, eu acordo como que em outra vida. Desço a pés descalços, os degraus de pedra fria. Preparo o pequeno-almoço. Sento-me à mesa e ligo a televisão. Aquela música, aquela maldita música!!! E tudo que ficara no passado aterrisa subitamente no meu presente. "Eu sem ti, tu sem mim, como poderemos ser felizes???"


Ontem à noite custou-me a adormecer, porque ontem foi o dia em que não me consegui esquecer de ti.














Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

quinta-feira, 15 de junho de 2017

In Dubio

Dias há de infindáveis alegrias,
Outros de tremendas agonias.
Sei o que sinto, sem saber bem,
Certezas, quem as tem?

Ninguém sabe o que o seu coração quer,
Se soubesse dar-lho-ia,
Se soubesse não o quereria.










Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...




quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Ser... às vezes

Ás vezes sinto-me vazia, perdida na imensidão de nada que habita no meu interior. Não há chão sob os meus pés, não há escuridão neste vácuo. É tudo branco, branco como uma folha de papel por estrear, uma folha sem linhas ou margens. Olho os recantos mais remotos do meu ser, mas não há lápis ou caneta. Não tenho como criar nada, não tenho como preencher o nada.

Ás vezes sinto-me perdida,sem saber para onde ir. Sem ter para onde ir. Não há caminhos certos ou errados. Qualquer desejo deles é vislumbre, porque a sua realidade é inexistente.

Tomaram-me as rédeas das mãos, perdi o controlo da minha vida... se alguma vez tive o seu controlo. O tapete que me sustentava foi abruptamente arrancado pelas mãos fantasmagóricas da ironia do destino.

Estou imóvel e despojada de coragem. O meu corpo treme a cada pensamento. A minha mente bloqueia cada emoção. Tento afogar os sentimentos que emergem do fundo do meu ser.

Sou a personificação da vida sem vida. Cada célula do meu corpo tem mil fragmentos de medo. E o medo apoderasse de mim.

É tudo turvo e confuso. Não sei o que quero. Não tenho certezas do que não quero.

Perdida no meio da descoberta. Já não me recordo do que é ser. Perdi a memória de quem sou.

Não sei o que vou ser, quando voltar a ser, se algum dia voltar a ser.













Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...
















Sometimes I feel empty, lost in the immensity of nothing that lives inside me. There is no floor under my feet. There is no darkness in this vacum. It’s all white, white as a paper sheet unused, without lines or margin. I look at the most remote recesses of my being, but there is no pencil or pen. I don’t have how to create anything, I don’t have how to fill the nothing.

Sometimes I feel lost, without knowing where to go. Without having where to go. There is no right ways or wrong. Any desire of them is a glimpse, because their reality don’t exist.

They took the reins of my hands, I lost the control of my life… if I ever had the control. The carpet that sustained me was abruptly yanked by the ghostly hands of fate’s irony.

I am still and stripped of courage. My body trembles at every thought. My mind blocks every emotion. I try to drown the feelings that emerge from the depths of my being.

I am the personification of life without life. Every cell in my body has thousand fragments of fear. And fear seize me.

It's all blurred and confused. I don’t know what I want. I have no certainties what I don’t want.

I’m lost in the middle of discovery. I can’t remember what is to be. I lost the memory of who I am.

I don’t know what I will be when I return to be, if ever I return to being.



That dreamers never stop dreaming ...

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Locus

Não posso ficar mais aqui, nesta terra de ninguém.
Tenho de ir, de correr e acreditar. Tenho de me evadir, tenho de me achar.
Tenho sonhos dentro de mim que sozinhos moveriam o mundo.
Tenho esta sede insaciável. Este querer sem dono, esta necessidade de partir, esta vontade de ficar.
Parece loucura e é loucura, não se ter, nem se achar, tanto querer e sempre evitar.
Um dia houve que estive onde queria estar; mas tempo vai-se com o vento. E a gente encontra sempre motivo para debandar.

O fado arrancou-te de mim, levou-te não sei bem para onde... E tu, por vontade própria ou simples ilusão dela, permaneceste no incerto, na neblina indecifrável do vácuo encriptado .

Um dia já estive onde queria estar. Estive em casa, e aprendi que casa não é nenhum lugar.
Queria te ter, e nunca te quis largar. Juntos éramos mais do que humanos, o impossível era o irreal, mas até esse se tornava realidade, porque todo o nosso mundo dependia da nossa vontade.

Esta noite sonhei contigo e soube que tinha de te ver. Porque os sonhos movem o mundo, e a mim move-me a constância.
Vou descalça pela rua, com a esperança às costas e o coração no peito. Sei que ele me levará até ti porque é da essência do teu que ele é feito.









Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...









I can't stay here anymore, in this land of nobody.
Ihave to go, run and believe. I have to evade me, I have to find me.
I have dreams inside me that can move the world by themselves.
I have this unquenchable thirst. This want unowned, this need to go away, this desire of stay. It sounds madness and it's madness, I don't have me, neither can find me. Very wanting and always avoid.

There was a day that I was where I wanna be; but time goes with the wind. And people always find a reason to skedaddle.

The fate snatched you from me, took you I don't know where ... And you, on your own will or simply illusion of it, you remained in the uncertain,  in the indecipherable haze of the encrypted vacuum.

One day I've been where I wanted to be. I was at home, and learned that home is not place. I always wanted to have you, and I never wanted you to leave. Together we were more than human, the impossible was unreal, but until that became reality because our whole world depended on our will.

Last night I dreamed about you and I knew I had to see you. Because dreams move the world, and me move me constancy. 
I'm going barefoot down the street, with the hope in my back and heart in the chest. I know he will lead me to you because it is the essence of your it's done.









That the dreamers never stop dreaming...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Mendacium

É tudo mentira, foi tudo mentira.
São mentira todos os sorrisos, 
São mentira todas as lágrimas. 
São mentira todas as emoções que emergem do nada, e se dissipam em nada.

E nada é verdade.
A verdade prende-se com o momento.
Nalgum momento as mentiras foram indubitáveis verdades,
Que se evadiram com o tempo.


Um sopro de vento determina a sina daqueles que creem,
Enquanto acreditamos tudo é real,
Quando a crença desvanece, nesse momento
A edificação da realidade desmorona-se.


E eu perdido no ceio desta destruição, fito tudo em meu redor
Não restou nada se não poeira.
Deixei de acreditar. Tudo é falso e sujo.
Tudo é obscuro e nublado.


Não há um amanhã iluminado.
Não há uma réstia de esperança para os que querem acreditar,
É tudo mentira, não há como retornar.


Resta a escuridão, restam os moribundos,
Carece nos Homens a humanidade,
Carece no mundo a vontade.


Finda o dia e restam as mentiras…


Mentiras, esta é uma casa de mentiras,
Todos fingem e vivem o fingimento,
Tentam tornar verosímil o falso e o irreal,
Mentem para viver, e acabam a viver para mentir.

Nascem Homens e morrem bestas,
Nascem sãos e morrem podres,
Nascem lídimos e acabam corrompidos.










Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...

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It's all a lie, it was all a lie.
All smiles are faked,
All tears are faked.
All emotions are false, they came from nowhere and dissipate into nothing.

And nothing is true.
The truth is conected to the moment.
At some point the lies were indubitable truths,
That bounced over time.

A breath of wind determines the fate of those who believe,
While we believe it is real,
When the belief fades, in that moment
The construction of reality crumbles.

And I'm lost in the middle of this destruction, I face all around me
There's nothing left if no dust.
I stopped believing. Everything is false and dirty.
Everything is dark and cloudy.

There is no bright tomorrow.
There isn't a glimmer of hope for those who want to believe,
It's all lies, there is no return.

There remains the darkness remain the dying,
Men lacking in humanity,
The world lacks the will.

Ended the day and left the lies ...

Lies, this is a house of lies,
All of them pretend and live pretending,
They try to make plausible the false and the unreal,
Lie to live, and end up living to lie.

They are born Men and die beasts,
They are born healthy and die rotten,
They are born original and end up corrupted.










That dreamers never stop dreaming ...


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

L'amour

Amo-te. Amo-te como nunca amei ninguém.
Amo-te hoje como não te amei ontem.
Amo-te hoje como não te amarei amanhã.

Dei tempo ao tempo. E fui-lhe dando tempo.
O tempo passou.
Passou o tempo, mas não passaram as memórias. Essas mantêm-se imaculadas.

Corri e esgueirei-me por entre as incertezas.
Amarrei-me às poucas certezas, e até mesmo essas se desvaneceram.
Certezas incertas.

Desejo palpitante de agaturrar a verdade.
Aquela que seria a minha indubitável verdade.
Essa ânsia que me consumia esporadicamente de modo permanente.

Entre o amo-te e o não te quero,
Lá fui saltitando.
Umas vezes amando sem querer,
Outras querendo-te sem saber.

Apostei com os rios e vales,
Fiz promessas às estrelas e aos mares.
Mas por mais que fizesse,
Tudo o que fizesse era exíguo para te largar.

Aceitei a incerteza, porque de tudo era o mais certo,
E deixei-me esvoaçar com o vento.
Empurrando-me lentamente cheguei ao agora.

E agora eu sei,
Que te amo,
E que sempre te amei.














Que os sonhadores nunca deixem de sonhar...
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I love you. I love you like I've never loved anyone before.
I love you today as I didn't loved you yesterday.
I love you today as I don't will love you tomorrow.

I gave time to the time. And I was giving it time.
The time has passed.
Time passed, but didn't pass the memories. These remain pristine.

I ran and I crept through the uncertainty.
I tied myself to the few certainties, and even those faded.
Uncertain certainties.

Throbbing desire to grasp the truth.
The one that would be my indubitable truth.
This yearning that consumed me sporadically in permanently way.

Between the "I love you" and the "I don't want you",
There I was hopping.
Sometimes loving inadvertently
Other times wanting you unknowingly.

I bet with rivers and valleys,
I made promises to stars and seas.
But as much as I did,
All that I did, was narrow to drop you.

I accepted the uncertainty because of all, it was the righter,
And I let myself fluttering in the wind.
Pushing me slowly got to now.

And I know now,
That I love you,
And I always loved you.














That the dreamers never stop dreaming ...